Que homem é este?

por Adelino da Silveira

Para escrever sobre este homem, minha incapacidade é tamanha que lanço mão de palavras e frases lidas e ouvidas aqui ou acolá.
Tento. Escrevo e apago. Rabisco e risco. Arrisco-me. Nem assim me é fácil expressar o que gostaria de dizer. Mas se você esteve com ele por alguns minutos, ainda que tenha sido uma única vez, não terá dificuldade em entender o que tanto quero dizer e não consigo.
Que homem é este que:
doente, deu saúde a um incontável número de pessoas;
pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos;
rico de bens espirituais, jamais esqueceu dos pobres;
sem poder humano, orientou e consolou poderosos;
sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu;
sem títulos acadêmicos, apenas com o quarto ano primário, foi co-autor de verdadeira enciclopédia, versando os mais variados temas sobre Ciência, Filosofia e Religião;
apagando-se, iluminou nossos caminhos.
De sua boca jamais se ouviu uma palavra de pessimismo, ódio, condenação ou revolta. Sua vida foi toda dedicada para que “a fé se elevasse, a esperança crescesse, a bondade se expandisse e o amor triunfasse sobre todas as causas”.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue:
sorrir além do consaço;
servir apesar das doenças;
sofrer sem reclamar;
fazer o bem aos que lhe fazem mal;
orar pelos que o perseguem e caluniam;
ajudar desinteressadamente;
conversar com os animais;
amar todos os seres;
publicar quatrocentos e dez livros, com vinte milhões de exemplares vendidos*, sem nunca receber um centavo de direitos autorais.
Que homem é este que, há muitos anos, capa e assunto das principais revistas e jornais do país, nunca perdeu a simplicidade?
Que homem é este que, após alguns anos retido em sua casa por doenças graves, bastou a simples notícia de que havia voltado a atender para que milhares de pessoas acorressem à cidade onde mora, simplesmente para vê-lo?
Que homem é este que resistiu oitenta e nove anos** de massacre com a mesma paciência e serenidade dos primeiros seguidores de Jesus?
Que nunca se cansa de fazer o bem?
Nunca perguntei a este homem se ele é feliz, mas deve ser, porque faz a vontade de Deus.
Ele tem um jeito manso de falar, um olhar límpido como um céu sem nuvens, um sorriso franco de quem é autêntico…
Este homem não consegue mais falar sobre o Cristo sem se emocionar até as lágrimas.
Seu nome é Chico, o nosso Chico, um homem feito só de amor.
Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer.
Livro: Momentos Com Chico Xavier
Adelino da Silveira
Grupo Espírita da Paz

Notas de Fernando Peron (março de 2010):
(*) – Atualmente, o número já ultrapassou os 450 títulos, totalizando 50 milhões de exemplares vendidos apenas em Língua Portuguesa.
(**) – A presente obra foi lançada em 1999, quando Chico Xavier estava com 89 anos de idade.

Pecado

Richard Simonetti: artigo sobre pecado
Richard Simonetti

por Richard Simonetti

A fim de atrair fieis para sua igreja, o pastor das almas colocou um cartaz na porta: Se você está cansado de pecar, entre.
Alguém anotou, embaixo, letra feminina, um número de telefone, observando: Se ainda não estiver cansado de pecar, ligue-me.
A anedota é infame, amigo leitor, mas remete-nos à expressão pecado que costuma ser situada como uma ofensa a Deus. Na verdade, não temos competência para isso. O relativo jamais atingirá o Absoluto.
Não obstante, podemos usa-la para definir um comportamento que compromete nossa filiação divina.
A teologia medieval fala em sete pecados capitais, passíveis de remeter a Alma para as caldeiras de Belzebu: Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Orgulho e Preguiça
As religiões situam-se por apelos divinos, convocando-nos a superar o comportamento pecaminoso.
Não obstante, sempre há recadinhos de nossa inferioridade:
Passe ao largo, desfrute os prazeres, aproveite a vida.
Não perca tempo com beatices.
Ligue para mim (dê atenção às minhas sugestões)…
A propósito do assunto, o apóstolo Paulo tem ilustrativa observação (Romanos, 7:19): Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.
É o retrato fiel da condição humana, em que prevalecem impulsos primitivos de animalidade, uma espécie de ir ao sabor da correnteza, acompanhando a multidão.
Mais desejável deter do que oferecer.
Mais animador o excesso do que a frugalidade.
Mais fácil revidar do que relevar.
Mais envolvente a sensualidade do que a castidade.
Mais convidativa a inércia do que a ação.
Mais atraente o vício do que a virtude.
Mais motivadora a paixão do que a razão.
Todavia, há conseqüências indesejáveis.
Quando nos deixamos levar, fica sempre um gosto amargo de fim de festa, uma inquietação indefinível, como se estivéssemos fora dos ritmos da Vida, distraídos dos objetivos da existência, transviados em relação às metas que nos compete alcançar.
Nesses descaminhos, há um encontro tão infalível quanto indesejável: A Dor, mestra severa e intransigente, a serviço de Deus, a cumprir a missão que lhe foi confiada: corrigir nossos rumos, ajudando-nos a trilhar os caminhos retos, superando as tendências inferiores que nos inspiram. Então, lamentamos o tempo perdido, os comprometimentos, a semeadura de frustrações e angústias.
Imperiosa, portanto, elementar providência, se desejamos aproveitar integralmente as oportunidades de edificação da jornada humana, evitando os penosos encontros com a Dor:
Ignoremos os recados mal intencionados dos instintos.
Atendamos aos convites da religiosidade, em favor de nossa própria renovação.